“Agora não pertenço a lado nenhum”

Refugee Action
Refugee Action

Com dezanove anos, Abdi tem de passar noites com temperaturas negativas ao relevo, nas ruas do Reino Unido. Cresceu na Somália e as principais lembranças da sua infância são a brutalidade e o medo.

“No meu país, não temos um governo [funcional] desde 1990”, disse Abdi. “Isso foi antes de eu nascer. Eu nasci e fui criado quando eles estavam estavam a matarem-se uns aos outros. Guerra, medo, guerra, medo, guerra.”

Quando Abdi tinha dezassete anos, o pai dele foi morto. Também perdeu o irmão mais velho e a irmã para o conflito da Somália. A mãe, aterrorizada pela vida do seu filho mais novo e o único restante, fugiu com ele para o Quénia. De lá, enviou o filho para o Reino Unido, na esperança que ele encontrasse segurança.

Sozinho e sem preparação, Abdi encontrou rapidamente o seu pedido de asilo recusado. Foi despejado do alojamento que o departamento responsável pela imigração tinha cedido, mesmo depois de dizer que não poderia regressar ao seu país de origem. O departamento considerou que não existe caminho seguro de regresso à Somália, e por isso não vai deportá-lo ou deixá-lo regressar voluntariamente. “Agora não pertenço a lado nenhum”, disse ele.

Por um curto período de tempo, Abdi ficou com um amigo somali. Mas quando o amigo casou, foi convidado a sair da casa. Apenas um mês depois de completar dezanove anos, Abdi estava a dormir ao relento, nas ruas de Liverpool.

Recebeu aconselhamento da organização “Refugee Action” e também a ajuda da organização “Asylum Link”. Descobriram-no numa cama de uma pensão, e encaminharam-no para um novo procurador. Ambas as organizações acreditam que seja provável Abdi não receber aconselhamento ou apoio adequado do seu primeiro procurador.

Um melhor aconselhamento jurídico pode mudar a situação de Abdi, como é frequente acontecer em casos como o dele. Ele está esperançoso, mas preocupado com o que acontecerá se o pedido de asilo for recusado uma segunda vez. “Se é recusado o asilo a alguém da Somália e lhe é dado um chuto para fora, e se essa pessoa não tem família, para onde deveria ir?”, questionou-se.

Abdi acredita que até mesmo a vida em um país devastado pela guerra é preferível a uma vida desamparada, vivendo nas ruas da Grã-Bretanha, no inverno, sem qualquer perspetiva de futuro. “Não sei o que o destino me reserva, não sei o que fazer.”

Fonte: Refugee Action

 

 

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *