“Eu sobrevivi; eles morreram”

A. Spanaki/UNHCR
A. Spanaki/UNHCR

“Tinha uma vida normal, vivia com a minha família. Era um estudante universitário e tinha muitos amigos”, conta Hussein ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Mas depois, com a guerra na Síria, tudo mudou.  “Não queria deixar o meu país, mas sabia que não tinha outra hipótese. Tinha de sair e seguir a mesma estrada [que os outros]” e deixar para trás a guerra que todos os dias tira a vida a centenas de pessoas.

Tinha medo. Não sabia se sobreviveria ao atravessar o Mediterrâneo. “Antes de sair, lembro-me de pensar que poderia morrer no barco a caminho da Europa. Mas recusei-me a morrer. Convenci-me que conseguia superar aquilo e chegar à Europa seguro”, onde esperava encontrar um refugio depois de tudo aquilo pelo qual passara.

Então, fiz uma tatuagem no peito e escrevi ‘Recuso-me a afundar’. Queria declarar a minha perseverança e força”, escrevendo essas palavras na pele, para sempre, de forma a que todos pudessem ver que, ali, estava um sobrevivente.

E consegui. Com outros doze sírios, chegámos à ilha de Kalymnos [na Grécia]. Extremamente comovido, liguei para casa, para os meus pais, para lhes dizer que estava bem, que tinha cruzado o mar e que estava bem”.

Hussein conseguiu, mas nem todos tiveram a mesma sorte. Nem todos conseguiram chegar ao seu destino, aquele longe da guerra. “Soube que, no mesmo dia em que consegui sobreviver, outros sírios morreram em Izmir [Turquia], ao tentarem atravessar o mar rumo à Grécia”. Notícias desse dia relatam que um barco, que transportava 16 sírios, tinha afundado e que daí resultaram oito mortes, três feridos e cinco desaparecidos.

Era dia 16 de abril de 2014. Eu sobrevivi; eles morreram”.

Quando Hussein escreveu o seu testemunho estava em terras gregas, mais concretamente em Kalymnos a caminho de Piraeus, uma zona urbana perto de Atenas. Agora, pode estar em qualquer lugar, mas o ato de cruzar o Mediterrâneo já ninguém lhe tira.

Fonte: UNHCR

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